domingo, 23 de junho de 2013

Produção de Mudas Nativas


A semeadura de espécies arbóreas nativas poderá ser feita de três maneiras (Carvalho, 2000):
·         Em sementeiras: é recomendada geralmente para as espécies que apresentam uma germinação epígea (cotilédones expostos ou acima do solo) e aceite bem a técnica de repicagem ou poda radicial.
·         Semeadura de uma ou mais sementes na posição horizontal em recipiente: recomendada geralmente para as espécies que apresentam germinação hipógea (cotilédones escondidos no solo) e que geralmente apresentam uma raiz pivotante e comprida. Algumas espécies intolerantes ao trauma das raízes exigem a utilização da semeadura direta. Esse método é viável praticamente para todas as espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus, assim como para Araucaria angustifolia e muitas outras espécies (Simões et al., 1976).
·         Direta no campo: é a semeadura direta no local de plantio, de uma ou mais sementes, para as espécies que apresentam sementes grandes, como Araucaria angustifolia, Joannesia princeps (boleira) e Ocotea porosa (imbuia) ou para espécies de tegumento duro, como a Mimosa scabrela (bracatinga).
Recipientes: deve-se evitar recipientes de laminados de madeira (jacás), principalmente pelos danos ocasionados pelo transporte, bem como recipientes de taquara. Atualmente está sendo testada a produção de mudas em tubetes de polipropileno para diversas espécies nativas, sendo recomendados tubetes que comportam de 50 e 100 ml de substrato, para Araucaria angustifolia (Seitz, 1991). Para a grande maioria das espécies nativas, Centrais Elétricas de São Paulo - CESP e as principais associações de reposição do Estado de São Paulo detêm a grande maioria do conhecimento sobre a produção de espécies nativas em tubetes.
Repicagem e poda radicial: de uma maneira geral, para as espécies de germinação epígea a repicagem para os recipientes definitivos é feita quando as plântulas apresentam as primeiras folhas definitivas e para as espécies de germinação hipógea, quando começa a aparecer o epicótilo. A operação de repicagem deve ser feita com alta umidade relativa do ar. Durante muitos anos, o insucesso dos plantios de Araucaria angustifolia foi creditado a um manuseio indevido das mudas, principalmente devido à ruptura da raiz principal durante o transporte ou plantio. Demonstrou-se, no entanto, que a poda da raiz no viveiro, além de não ser prejudicial, ainda melhora a qualidade da muda para o plantio (Malinovski, 1977).
Cuidados especiais: Carvalho (2000) observou que o desenvolvimento insatisfatório de mudas de algumas espécies, na fase de viveiro, decorreu da ausência de organismo simbionte adequado. Para as três espécies mencionadas abaixo, esta suposição deverá ser melhor investigada: Ocotea puberula (ver Nº 70), Prunus brasiliensis (ver Nº 79) e Schefflera morototonii (ver Nº 85). O autor observou, para essas espécies, problemas na produção de mudas, principalmente com acentuada mortalidade durante a permanência no viveiro, com o substrato usado para enchimento dos recipientes. Contudo, quando foi utilizado solo retirado debaixo das árvores, cujas sementes foram coletadas, não se verificou mortalidade, e as mudas apresentaram crescimento vigoroso. Mudas de Prunus brasiliensis produzidas com o substrato usual (sem micorrizas) e com solo coletado debaixo de árvores mães (com micorrizas), levadas ao campo apresentaram aos cinco anos de idade, uma diferença marcante na sobrevivência, no primeiro caso 80% e no segundo caso 26,6%. Se usarmos o ICC (Índice Combinado de Crescimento) recomendado por Higa & Carvalho (1991), que é obtido através da multiplicação do número de plantas vivas, pela altura média e pelo diâmetro a altura do peito (DAP) médio, ter-se-ão: mudas usuais (ICC = 28,02) e mudas micorrizadas (ICC = 115,58). Por esse exemplo, observa-se que mudas com bom estado nutricional conseguem manter bom comportamento no campo.
Germinação: a germinação é epígea e as plântulas são fanerocotiledonares, ou a germinação é hipógea e as plântulas são criptocotiledonares. Também, menciona-se o período de germinação (inicio e fim); faculdade germinativa: baixa (abaixo de 40%); regular (entre 40% e 80%) e alta (acima de 80%); repicagem, e tempo total em viveiro, para se obter uma mudas com altura mínima de 20 cm.
Propagação vegetativa: a propagação vegetativa ou assexuada é uma técnica utilizada para reproduzir uma planta geneticamente idêntica à planta-mãe (Graça & Tavares, 2000). Isso só é possível porque as células contém, em seus núcleos, a informação necessária para gerar uma nova planta. Os métodos de propagação vegetativa tradicionalmente utilizados como a estaquia de ramos e raízes, a enxertia, a alporquia, ou simplesmente divisão tem se expandido a outros métodos de propagação in vitro, como a micropropagação. Além da perpetuação do genótipo selecionado, a propagação vegetativa inclui as vantagens de:
·         Obtenção de uma maior uniformidade. Isto é importante, principalmente na redução de custos durante a implantação, manejo e corte final de um povoamento.
·         Oferece a oportunidade de superar dormência mais complexas, baixa produção de sementes e outras dificuldades associadas a propagação via sementes.
·         Favorece o florescimento mais precoce ou consistente de algumas plantas. Para algumas espécies, há um grande benefício quando se utiliza a propagação vegetativa de árvores adultas para o estabelecimento de pomares de sementes de espécies florestais, para a produção controlada de sementes.
·         Fornece a possibilidade de perpetuação de plantas resistentes a doenças e insetos.
Associação simbiótica: quando pertinente, aborda-se, se a espécie associa-se com Rhizobium ou se apresenta micorrizas arbusculares (MA). Micorrizas arbusculares são associações simbióticas mutualísticas entre fungos da ordem Endogonales e raízes de diversas plantas, estabelecendo uma série de inter-relações biotróficas que são altamente vantajosas para a planta (Gaiad, 1996). A planta fornece substrato energético (carboidratos) para o fungo, e este repassa nutrientes e água presente no solo para a planta. As hifas externas dos fungos MA funcionam como uma extensão do sistema radicial da planta, possibilitando a absorção dos nutrientes de baixa mobilidade como o fósforo, além da zona de depleção. Nessa simbiose, as hifas entram no córtex da raiz formando vesículas e arbúsculos. As vesículas são estruturas de armazenamento e os arbúsculos são considerados peças-chave na interação planta-fungo, pois são os locais onde ocorrem as trocas de nutrientes (Gross et al., 1999).
http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/efb/producao.htm

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