Estudo comprova que desmatar ao redor das represas prejudica a capacidade de armazenamento de água dos reservatórios. A pesquisa da The Nature Conservancy indica que se São Paulo investisse no reflorestamento, a reserva aumentaria em 50%. Estado de São Paulo enfrenta uma das maiores secas da história, e os mananciais sofrem com a estiagem.

O coordenador de estratégia da ONG responsável pelo levantamento, Albano Araújo, explica que com o tempo, os reservatórios têm maior desgaste: "Quando você desmata as cabeceiras dos reservatórios, isso aumenta a erosão. Com o tempo, ele acaba tendo menos água do que quando foi construído, e isso diminui a sua capacidade de abastacer".

O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuí, cita a Billings, que teve queda na produção de água nos últimos anos. "No caso da represa Billings, tinha em 1930 uma produção natural de aproximadamente 28 metros cúbicos por segundo, e hoje tem de 12 metros cúbicos por segundo. Isso significa que à medida que se foi desmatando o entorno do reservatório, a represa foi perdendo a capacidade de produzir água. Sem o reflorestamento dos entornos dos reservatórios, temos cada vez mais temos assoreamento. As caixas d'água da cidade de São Paulo vão ficando cada vez menores", afirma ele.

A diretora da fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, disse que São Paulo precisa investir na recuperação dos mananciais. "Isso que gostaríamos que São Paulo fizesse para todo o estado. E incentivasse a recuperação além do que tava previsto, de forma muito mais eficiente, pra essas áreas de mananciais, como é o caso da Cantareira, que só tem 20% da sua cobertura florestal original e com isso vem perdendo a capacidade de se recuperar", defende.

O custo do reflorestamento ao redor das represas do estado é estimado em R$200 milhões.